Por Que Somos Dependentes de Caminhoneiros?

 

Ferrovias são uma das formas de transporte mais baratas que existem.

Ferrovias são bens mais baratas de construir e trens enormes precisam de somente três maquinistas para transportar dezenas de toneladas a mais.

As ferrovias começaram privadas no Brasil com concessões de somente 40 anos, depois estendidas a 90.

Por isso a melhor de todas foi estatizada no final de sua concessão, em 1948.

Em 1948 tínhamos 35.000 quilômetros de estradas, os Estados Unidos têm 300.000 por um território parecido em tamanho.

Pior, lá foram criadas para promover o comércio interno, aqui para escoar café para exportação. Tudo é ligado ao mar, e não para os outros estados da União.

São Paulo criou 22 ferrovias, todas independentes e sem muitas interligações, um verdadeiro caos.

Ferrovias são administrativamente complexas ao extremo. Muito em administração foi desenvolvido nos Estados Unidos por ferrovias: comunicação rápida, teoria dos grafos, contabilidade de custos por processo, logística.

Os Presidentes dessas ferrovias eram normalmente engenheiros que continuaram depois da fase de construção da ferrovia, quando os problemas depois eram outros: Marketing, Negociação, Política de Preços, Treinamento.

Dei um curso de Política de Preços na USP usando o método de casos, e os casos em ferrovias eram os mais cabeludos.

Para piorar, com Getúlio Vargas as ferrovias passaram a ser “estratégico para a nação” como viria a ser o petróleo.

De fato dá para transportar petróleo, mas petróleo sem transporte não vale nada.

Criaram as estatais Rede Ferroviária Federal e a FEPASA em São Paulo e ao fim de 50 desistiram nessa “experiência” de esquerda.

Resumo da ópera, hoje há 25.000 km caindo aos pedaços, serviços não confiáveis, e um país dependente de caminhoneiros muitíssimo mais caros.

É como se cada vagão de trem tivesse um motorista e um motor.

Nada disso apareceu nessa crise de transporte, fruto da nossa esquerda estatizante que há 70 anos atrasa o país.

Há um limite à cegueira ideológica possível.

Você de esquerda não pode ser tão insensível aos danos causados.

Você de esquerda não pode continuar recusando a aceitar que errou, só para não ferir o seu ego e autoestima.

Estude um pouco de administração socialmente responsável, saiba desse movimento que tem muito de seus objetivos e sonhos, e mais, capacidade de colocá-los em prática, algo que a esquerda de sociólogos e economistas nunca tem.

 

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6 Comments on Por Que Somos Dependentes de Caminhoneiros?

  1. Concordo que houveram muitos erros que devem ser creditados ao nacionalismo estatista do país. É certo também que essa ideologia ainda é dominante, por motivos óbvios. Mas não acredito que seja muito proveitoso colocar isso em termos de um dualismo esquerda-direita, e sim trabalharmos para mudar os padrões de referência, os critérios de avaliação, o que deve ser considerado válido, correto, útil e etc.
    Quando houver algum consenso sobre esses novos padrões, daí é que se pode concorrer discursivamente para institucionaliza-los.

  2. Somos administrados por políticos e não administradores. Os interesses de forças ocultas não nos permite desenvolvermos estratégias para o bem do país a longo prazo, como novas ferrovias… Cartéis, máfias dominam o cenário, jogos de interresses. Nao vejo um futuro de desenvolvimento enquanto não mudarmos nossa mentalidade. Estamos míopes e entorpecidos pelo conformismo, esperando um “salvador”. Não nos mobilizamos por mudanças urgentes. Resta esperar por um milagre divino !

  3. Este é apenas mais um dos erros “estratégicos” cometidos ao longo de nossa história.
    Infelizmente, não temos perspectivas de reversão. Basta ver o lastimável cardápio de candidatos – alguns até com capacidade estratégica, mas que dela renunciam em troca de alguns votos a mais.

  4. Realmente criar um plano para estender ferrovias por todo o território do Brasil tanto para transporte de CARGAS EM GERAL – QUANTO DE PASSAGEIROS – TRENS BALA ENTRE E DENTRO DE ÁREAS METROPOLITANAS é necessário. Só não devemos nem poderemos fazer isso através de EMENDAS PARLAMENTARES COM DINHEIRO QUE O ESTADO NÃO TEM PARA POLÍTICOS CORRUPTOS EM TODOS OS NÍVEIS NA IMENSA MAIORIA DOS CASOS COMO OS NOSSOS.

  5. Prezado Kanitz, Concordo com o texto e também não entendo como um país de dimensões continentais como o nosso não possui uma malha ferroviária decente. Porém, não entendi o trecho “fruto da nossa esquerda estatizante que há 70 anos atrasa o país”, apesar de não ser de esquerda, não vejo como atribuir 70 de atraso a uma única ideologia.

  6. O Rodoviarismo terá sempre seu espaço para atender a “última milha” e com o mesmo volume. É realmente uma questão de administração socialmente responsável retomar um projeto nacional de ferrovias, principalmente para atender em infraestrutura as safras agrícolas e a integração interestadual.

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