Abaixo estão as observações de Roberto Pompeu de Toledo, da Veja, que entrevistou Fernando Henrique Cardoso no Livro: "O Presidente Segundo O Sociólogo".
"Foram nove entrevistas de duas horas, entre 27 de outubro e 20 de novembro de 1997, enquanto o mundo era sacudido pela crise das Bolsas de Valores da Ásia.
No dia 10 de Novembro, no ápice da crise, o governo lançou um pacote de medidas."
"Supõe-se que um palácio presidencial seja o centro nervoso da decisão da ação.
O lugar onde as coisas fervem.
E no entanto o ritmo lá dentro é o mesmo ritmo manso do avanço da ema.
Imagina-se que acontece tudo no Palácio da Alvorada.
E no entanto não acontece nada"
Uma pausa para respirar. Será possível ?
Por isto eu nunca entro na cozinha de restaurantes. É melhor não saber como a nossa comida é feita. Melhor viver numa ilusão.
Mas Roberto Pompeu de Toledo, visivelmente chocado como todos que sabem a verdade, continua:
De maneira semelhante, quem espera um presidente desgrenhado, num dia de crise financeira, não se contendo na cadeira, falando em dois telefones ao mesmo tempo enquanto soa um terceiro, os fundos de olhos indormidos, a gravata deslocada na camisa aberta, um auxiliar lhe estendendo um papel, enquanto outros circulam em volta, engana-se."
Roberto Pompeu de Toledo dever ter ficado muitíssimo indignado com o que viu, ao ponto de colocar tudo isto no prefácio do livro.
Roberto Pompeu de Toledo esperava ver o que todos nós esperaríamos.
Um executivo à toda, tentando coordenar as ações necessárias para nos proteger de uma crise.
Um líder chamando todos à luta, e não calmamente sentado por nove dias para escrever mais um livro de cunho pessoal.
