Todos conhecem o oitavo Mandamento "Não levantar falso testemunho", que esta semana se tornou um tópico importante para reflexão, diante do caso entre uma simples camareira, e o Diretor Geral do FMI.
O caso é complicado porque não houve testemunhas, é a palavra dela, contra a dele.
Ele afirma categoricamente que é inocente.
Ele está no meio de uma importante negociação com a Grécia e Europa, que precisa ser imediatamente resolvida.
Ele é Prof. Titular do Instituto de Paris.
É membro do Partido Socialista da França, conhecido pela sua ética acima de tudo.
Não, Dominique Strauss-Kahn.
Nunca mentiu na vida, na sua Tese de Doutorado foi aprovado com Louvor, nunca mentiu nos seus inúmeros estudos econômicos.
Portanto a sociedade, a imprensa, deveriam ter acreditado sem questionar a sua inocência, e permitido a ele continuar a ser Diretor do FMI, até ser condenado se for o caso.
Nada contra a camareira, mas vamos e venhamos, da forma que tudo está sendo conduzido, a prisão do Dominique, a renúncia forçada do FMI, fica claro que todos estão acreditando na "verdade" de um e não do outro.
Se não acreditarmos que mais uma vez Dominique está dizendo a verdade, como ficam todos os "papers" que ele escreveu na vida?
Todas as análises que fez no FMI envolvendo milhões de seres humanos?
Como ficam todas as premissas dos empréstimos que ele fez no FMI?
Agora vem a questão.
Se Dominique está mentindo pela primeira vez na vida para salvar a sua pele, se está agora querendo incriminar uma camareira para ficar bem com a plateia, se ele está complicando o mundo com a sua falsa inocência, ele merece prisão perpétua.
Um dos grandes problemas da sociedade atual, é esta ideia de que mentir diante de um juiz é considerado normal, faz parte do "jogo".
Cabe ao promotor descobrir a mentira, e achar inconsistências.
Mas nenhuma pena adicional é dada ao culpado que alega inocência, "eu não estuprei a camareira".
Faz parte do jogo dizer que você é inocente.
Fazer parte do jogo Maluf dizer que não tem dinheiro em Jersey, que não sei do Mensalão, que não tenho filho fora do casamento, até prova ao contrário.
Isto é obstrução de Justiça, alegar auto-incriminação não vale, é aumentar os honorários de advogados.
Posso não estar explicando minha posição de forma adequada, mas meu ponto de vista é:
"Somos uma sociedade de pessoas imperfeitas. Pessoas que roubam, enganam os outros, querem seduzir mulheres especialmente estando em elevados postos de poder."
"Entendemos isto, embora não aceitemos. E vamos punir os infratores, e quanto mais rápido e transparente for este processo, melhor."
"A única coisa que exigimos destas pessoas imperfeitas, é que na hora que forem pegas em flagrante, que levantem a mão envergonhadas e digam, errei."
Todos nós deveríamos ter acreditado piamente na inocência do economista Dominique Strauss-Kahn, e resignado ao fato que não temos um histórico sobre a honestidade intelectual da camareira, para supor que ela esteja mais certa do que Dominique.
Ela pode estar certa, e o julgamento irá determinar, mas enquanto isto Dominique não poderia estar preso, nem retirado de suas funções do FMI.
AGORA: Se o julgamento mostrar que Dominique Kahn, mentiu, que o homem mais poderoso do mundo tentou deliberadamente incriminar uma camareira, isto sim é muito sério.
Dar falso testemunho deveria ser um crime mais hediondo, perdoem-me as feministas, mais do que sexo oral forçado.
Em algum momento as pessoas imperfeitas precisam parar de mentir.
"Diga que você é inocente, e ao longo do processo iremos achar uma pegadinha, uma falha da camareira que irá inocentar você."
Esta opção precisa ser eliminada. E hoje não é.
Pior. A camareira não tem como efetivamente se defender contra 40 advogados contratados, ela provavelmente fará um pequeno deslize que "provará" alguma coisa contra ela.
A grande sacanagem e humilhação é o Dominique Strauss-Kahn, sendo de fato culpado, sair dizendo que ele é inocente e que a culpada é ela.
Afinal, ambos sabem quem é o verdadeiro culpado.
