Este diálogo entre Economistas e um Publicitário mostra algumas lições de Administração Econômica.
A primeira reunião do novo governo Lula foi convocada para aumentar os juros para 9,5%.
EcoPol "Precisamos debelar esta inflação reduzindo o consumo popular", iniciou um dos economistas técnicos do assunto.
AdEcon "Não entendi. Inflação não é aumento dos preços, e aumento de preço não reduz naturalmente o consumo?", argumentou o ministro Duda, que fizera inúmeras campanhas publicitárias para empresas que pararam de vender justamente porque os preços eram maiores que os da concorrência.
EcoPol "Aumentar o preço, de fato, reduz consumo, mas aumentando os juros aceleraremos o processo. O perigo é os sindicatos não esperarem a queda dos preços e pedirem a indexação dos salários."
AdEcon "Então vamos conversar com os sindicalistas", disse o ministro Duda. "Vocês entendem muito mais de sindicalismo do que de juros."
EcoPol "É que eles não falam mais conosco, acham que somos de direita. Agora só podemos nos comunicar por sinais, sinalizando via juros e vieses indicativos."
AdEcon "Tudo bem, mas quem disse que aumentar juros diminui o consumo? Na época do Mailson eu comprei uma TV com os juros ganhos em um único dia", lembrava-se Duda. Quanto mais juros mais eles terão para gastar.
EcoPol "A teoria mostra que a propensão-marginal-a-consumir é MENOR quanto MAIORES os juros. Todos vão preferir poupar a consumir, especialmente com esses juros fantásticos."
AdEcon "Mas, se esse raciocínio for correto", argumentou Duda, "eles deixarão de gastar 100 reais hoje, o que de fato reduz a inflação, mas poderão gastar 109 reais no ano que vem, e isso sim vai ser inflacionário."
EcoPol "Vamos resolver um problema por vez, senhor ministro. No ano que vem, a gente conserta nossos erros do passado."
Duda então contou das propagandas que fizera afirmando que a caderneta de poupança rendia 30,5% ao mês, na época de uma inflação de 30%.
Ele achava aquilo uma propaganda enganosa, que se deveria pelo menos descontar a inflação e mostrar que o verdadeiro juro era de somente 0,5%.
Muita gente gastava o principal achando que era juro, e isto sim é infacionário.
EcoPol "Sabemos disso. Chamamos a isso de ilusão monetária. O povo acha que o juro nominal é o juro real, mas não é.
Você comprou sua TV usando parte da sua poupança achando que o juro do mês era renda. Isso ocorre até hoje."
AdEcon "Então é tudo isso que gera inflação. Políticas monetárias em que se acaba gastando poupança.
Expectativas racionais baseadas em juros irreais e ilusões monetárias, que portanto jamais serão racionais.
Juros nominais que não são reais e sim ilusão.
Emitir sinais em vez de conversar", bravejou Duda.
Foi a gota d'água!
Duda mudou a política monetária baseando-se agora em juros reais, e não irreais.
Utilizou pela primeira vez princípios extraídos da Economia Administrativa e não da Economia Neo-Clássica.
Criou uma campanha conclamando a população a não gastar os juros nominais acumulados que não eram nem juros nem renda para gastar.
"Vamos ter sete anos de vacas gordas, portanto vamos economizar para os anos de vacas magras. Vamos ser espertos desta vez", uma campanha com Einstein como figurino.
Reduziu o consumo na hora.
Outra campanha mostrava que, devido ao déficit da Previdência, agora era necessário poupar para a velhice, QUALQUER que fosse o juro.
Aliás, quanto MENOR o juro, MAIS as pessoas precisam poupar para sua aposentadoria, o contrário da teoria. É só fazer as contas.
Em vez de aumentar os juros para corresponder à percepção de risco, Duda baixou a percepção de risco fazendo o Marketing do Brasil, a um preço infinitamente menor.
Mostrou os jingles "O Brasil que dá certo" mundo afora, mostrou nossas boas notícias, e o investimento veio correndo. O presidente foi reeleito, e Duda virou diretor-geral do FMI.
Duda mudou o mundo.
Revolucionou o FMI mostrando que o marketing econômico poderia ser um poderoso instrumento estabilizador.
Conteve com campanhas pontuais várias fugas de capitais, impediu que crises de um país contagiassem outros.
Atraiu os investidores certos, não os especuladores via juros.
Fidelizou o capital volátil.
Mudou expectativas e eliminou medos infundados, como fez na propaganda política.
Cresceram e viveram felizes para sempre.
