O governo Itamar reduziu a inflação para um dígito, depois de mais de 50 anos de inflação galopante neste país.
Quem reduziu a inflação, não podemos esquecer, foi o Governo Itamar e não o Governo FHC como todo historiador irá informar. Itamar claramente seria culpado se o Plano Real fracassasse.
FHC teve mérito como Ministro do Governo Itamar.
Uma vez Presidente, todos nós esperávamos que no Governo FHC tivéssemos a redução dos juros para um dígito, consequência natural, o que não ocorreu.
Pelo contrário, a taxa de juros subiu para dois dígitos.
Isto não ocorreu nem no segundo mandato do Governo FHC, pelo contrário, os juros e a dívida interna aumentaram assustadoramente.
Não há como reduzir os juros para um dígito aumentando o tamanho da dívida interna.
Quem reduziu a dívida interna de 52% do PIB em 2002, para 37% em 2009, foi a gestão Lula/Meirelles, e não tenho dúvida que esta redução permitiu ao governo ser menos dependente dos Bancos Financiadores, e reduzir os juros paulatinamente.
Pode-se até dizer que o governo FHC não teve outra saída a não ser aumentar os juros e a dívida interna, mas não se pode dizer que isto facilitou a tarefa deste governo nem que Lula continuou com a mesma política do governo anterior.
Chamou-me a atenção em 2007, uma entrevista da Dilma Rousseff que comentei num artigo na Veja "A Tese da Dilma". Aí, dizem que a Veja é sistematicamente contra o Governo Lula. Meu artigo prova que esta acusação não procede.
"Dilma propõe reduzir os juros, não para recuperar a capacidade de investimento do estado ou para gastar no social, que é o discurso usual daqueles que se opõem aos juros elevados. Ela quer reduzir os juros para poder "reduzir o custo do capital social das empresas". Finalmente, alguém se tocou do verdadeiro problema. O custo do capital no Brasil é alto porque os juros da dívida interna também são altos."
Lula afirmou em seu discurso de posse que "nenhum país cresce se o custo do capital for alto". Frase que o jornalismo econômico obviamente ignorou e o jornalismo administrativo, inexistente neste país, não noticiou.
O ponto aqui é outro. O marco de juro de um dígito é fantástico, e dificilmente um próximo governo se atreverá a aumentar os juros para dois dígitos novamente. Talvez aumentem para 9%, ou até 9,75%, mas aí a grita será geral, ou deveria ser.
Infelizmente, temo que devido ao catastrofismo do primeiro semestre de 2009, com exceção do blog O Brasil Que Dá Certo, as empresas não investiram o suficiente para suprir a demanda, e o governo poderá ter que aumentar os juros para 12%, mas isto não foi erro deste Governo.
Juros de um dígito é uma mudança de paradigma neste país, permite empresas se alavancarem e crescerem mais rapidamente. Até 2009, o conselho de todo consultor financeiro era reduzir o endividamento, investir sobras de caixa não para expansão do ativo, mas para redução do passivo.
Claro que precisamos ficar atentos, mas uma vez conquistado, o juro de um dígito será um legado que espero irá perdurar.
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