O sucesso de Henrique Meirelles no Banco Central, o primeiro administrador profissional a comandar o Banco Central implantando várias medidas há anos defendidas pelos administradores brasileiros, não poderia deixar de trazer críticas.
Um grande banco de São Paulo divulga relatório onde critica o custo das Reservas Internacionais acumuladas pela primeira vez em 500 anos de história, e que permitiu pela primeira vez o Brasil não pedir uma ajuda e fazer uma dívida monstruosa com o FMI. Como criticar uma medida destas?
Meirelles modificou uma série de práticas dos governos anteriores, como reservas praticamente nulas, dívida interna denominada em dólar, dívida interna com juros flutuantes e não pré-determinados, e assim por diante, coisas defendidas por administradores há muito tempo.
O custo destas reservas, diz o estudo, representa 0,8% do PIB, porque as reservas são aplicadas em títulos americanos de juros baixos e custeadas por dívidas internas que são mais caras, o que é parcialmente correto.
O ataque velado aos administradores em geral, e Meirelles em particular, fica evidente quando autor usa o termo "rentabilidade gerencial" em vez da usual rentabilidade econômica.
Muitos economistas discutem agora se estas reservas não são elevadas demais.
Não encontrei nenhum artigo em 2004 do autor, propondo aumento de reservas ou apoiando meu artigo na Veja argumentando a necessidade do Brasil aumentar as suas pífias reservas de 18 bilhões na época.
O estudo compara os custos de juros com as receitas das reservas e deixa de fora uma série de "receitas" e externalidades das nossas reservas.
"Como o BC não age como hedge fund, eu não inclui a variação do câmbio como receita". Assim é fácil provar qualquer coisa em matemática. É só não incluir o que não se gosta. "Banco Central não é um hedge", vai contra tudo que se fala da função estabilidade do governo.
O fato das reservas manterem o câmbio baixo numa crise, o que impediram uma fuga de capital e reduziram a taxa primária de juros que o país tem de pagar não entrou nestes nos cálculos.
Muito menos entrou nos cálculos o enorme custo da dívida do FMI que o Brasil teve que pagar de 1998 em diante, por não termos tido reservas suficientes na época.
