Administradores socialmente responsáveis se sentirão fortalecidos com a nova encíclica, que defende como nunca foi defendido antes, a importância do administrador de empresas como o mentor de uma justiça social na empresa.
Nos últimos anos, leia-se 100 anos, pois em 1909, Harvard Business School identificou esta nova classe de gerentes, e criou um curso para formar administradores socialmente responsáveis, que cuidariam dos "stakeholders" e não somente dos "stockholders", como faziam os empresários.

Diz Bento. "Dentro do mesmo tema, é útil observar que o espírito empresarial tem, e deve assumir cada vez mais, um significado polivalente. A longa prevalência do binômio mercado-Estado habituou-nos a pensar exclusivamente, por um lado, no empresário privado de tipo capitalista e, por outro, no diretor estatal. Na realidade, o espírito empresarial há de ser entendido de modo articulado, como se depreende duma série de motivações meta-econômicas."
Só que estes novos administradores foram duramente combatidos pelos empresários que os viram como uma ameaça, e pelos dirigentes estatais, ao longo destes 100 anos.
Ou seja, a opção mercado-Estado, do empresário de um lado e do diretor estatal indicado pelo Partido do outro, não são as únicas opções. Existe outra, a qual temos defendido há 100 anos, de entregar ou pulverizar o poder a milhares de administradores socialmente responsáveis. Algo que a esquerda e a direita, incluindo a Igreja, nunca defenderam. Até agora!
"Apesar dos parâmetros éticos que guiam atualmente o debate sobre a responsabilidade social da empresa não serem, segundo a perspectiva da doutrina social da Igreja, todos aceitáveis, é um fato que se vai difundindo cada vez mais a convicção de que a gestão da empresa não pode ter em conta unicamente os interesses dos proprietários da mesma, mas deve preocupar-se também com as outras diversas categorias de sujeitos que contribuem para a vida da empresa: os trabalhadores, os clientes, os fornecedores dos vários fatores de produção, a comunidade de referimento."
Papa Bento repete a nossa luta pela defesa do "stakeholder", contra a direita que sempre defendeu o "stockholder", e a esquerda que sempre defendeu o "stockholder Estado", com todos os problemas de autoritarismo que a história retratou.
Papa Bento não percebe claramente este novo protagonista do administrador, parece que ele está sugerindo que este protagonismo seja criado, mas já é um avanço. Falta uma comitiva de administradores mais religiosos fazer uma peregrinação ao Vaticano, e contar a nossa história de 100 anos.
Uma das razões que Harvard decidiu criar o curso já em nível de Pós-Graduação, foi para dar status imediato a esta nova classe. Harvard só tinha 3 cursos de Pós: Medicina, Direito e Teologia.
"Precisamos criar um novo protagonista da ética e da moral, já que nossos teólogos estão perdendo espaço, e nossos advogados estão preferindo as bancas de Wall Street e não a magistratura", defendia o Dean de Harvard na época.
Com 100 anos de atraso, este apoio incial do Papa é bem-vindo e precisa ser divulgado.
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