O blog da Petrobras gerou pânico na imprensa escrita e na TV. Vários editoriais foram escritos sobre o assunto, em sua maioria atacando a Petrobras.
A ficha caiu.
Empresas descobriram que precisam se comunicar rapidamente com seu público em momentos de crise, como o da crise de 2008.
Quando o economista Nouriel Roubini saiu na Bloomberg e nos jornais dizendo que 200 bancos americanos estavam quebrados, sem citar quais, 12.000 bancos convocaram imediatamente os seus Relações Públicas para lidar com a corrida de bancos que Roubini, Krugman, a Bloomberg e todos os jornais que publicaram as entrevistas geraram.
Normalmente, Bancos teriam "comprado" anúncios nos jornais, desmentindo rumores de quebradeira. Mas isso poderia levar 2 dias no mínimo, e na era de saques pela internet, uma eternidade.
"Vamos publicar o desmentido no nosso próprio site do banco" foi a solução óbvia dos relações públicas, e o "vamos criar um blog corporativo" foi a óbvia conseqüência.
Roubini entrará para a história como seu patrono. Ou antipatrono.
O Blog Corporativo está aqui para ficar, e vai, sim, tirar poder da imprensa, mas de uma forma positiva.
Toda empresa agora sabe que tem que fazer um blog. E já têm um padrão:
www.suaempresa.com.br/noticias.html
Nem precisa colocar na primeira página. Sempre que alguém quiser notícias de uma empresa, basta ir para /noticias.html de qualquer empresa para saber se ela está quebrando de fato, ou não.
No caso da Petrobras, a celeuma fica então restrita a dois pontos.
1. Pode a Petrobras "furar" a Folha de São Paulo, publicando as "perguntas" formuladas pela Folha, com as devidas respostas?
A questão portanto é se existem direitos autorais sobre perguntas? A rigor, sim.
Por outro lado, no caso da Petrobras, as perguntas estavam no ar. Eram previsíveis. Sempre são. No caso de um crime, existem direitos autorais para a pergunta "onde o sr. estava no dia do crime? ".
A outra questão é se o Blog da Petrobras, ou de qualquer empresa, será mais ou menos fiel do que o relato de um jornalista?
Normalmente se imagina que não, que empresas serão menos fieés aos fatos.
Mas quem disse que é do interesse da Petrobras, ou qualquer empresa, mentir?
Mentira tem perna curta, especialmente no caso de uma empresa desse porte, e nenhuma empresa socialmente responsável irá mentir agora, para ganhar tempo, e depois sofrer as consequências da mentira, que invariavelmente será descoberta mais tarde.
Empresas gastam fortunas para criar uma marca, elas zelam por estas marcas porque são extremamente vitais.
Eu, como administrador, sou obviamente suspeito. Não acho que um administrador racional mentiria, nem que douraria a pílula, muito menos exageraria.
O que não se aplica para a imprensa, com seu o viés conhecido, sua ânsia de ver sangue e vender jornal.
Quem deveria ficar preocupado com toda esta história não é a Folha, mas sim os 1040 jornalistas contratados pela Petrobras para fazerem press release.
Com o blog corporativo, seus préstimos não serão necessários. 10 jornalistas serão suficientes para fazer um blog e divulgá-lo pelo hiperespaço. Mas deste empreguismo, ninguém da imprensa reclamou...
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